In the name of the blues

Pensamentos. Chego em casa junto com o anoitecer. Dia duro no trabalho. Os carros lá fora cantam sem cessar, motores aborrecidos pelo tempo acompanhados de buzinas frustradas em dó maior. Abro uma garrafa de conhaque grego, on the rocks. O primeiro gole trás êxtase, o segundo, solidão. Considero ligar para amigos e sair pra jantar. Reconsidero. A crise está aí, justifico. Junto com o apreço pelo silêncio, cogito em segredo. Penso em mudar de cidade, de estado, de país, ou só de corte de cabelo. A ausência da TV contribui para o silêncio, privando o ambiente de ruídos harmonicamente combinados. Silêncio este perturbado pelo vizinho gritando com o cachorro, e com a mulher, nunca se sabe a ordem. Visitas inesperadas. Abro a porta. Sorrisos, aflições. As garrafas se esvaziam conforme o prato de aperitivos semi-cheio é deixado de lado na mesa de vidro no centro da sala. Apartamento velho, com cheiro de coisa velha. Palavras que acertam, palavras que não agregam. Engov, água gelada e cabeça cheia, batidos num liquidificador de emoções confusas. As vezes escrevo in the name of the blues, as vezes pra espantar os demônios, as vezes porque devo. Pensamentos.


Processando…
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