O Renascentismo e a amígdala

Com toda essa maluquice de cidadania italiana eu comecei a prestar mais atenção no país onde se encontra o Vaticano. Lembro que muitos dos meus professores de história dissertavam sobre esse tal Renascentismo, e me pareceu uma hora boa para revistá-lo. Esse período show de bola entre o século XIV e o XVI trouxe uma onda de grandeza e perfeccionismo inspirada na Roma Antiga para algumas cidades importantes da Europa, principalmente da Itália, como uma tentativa de retomar a cultura clássica e a arquitetura greco-romana.

Um dos principais objetivos dessa arquitetura era impressionar pessoas influentes e deuses… E pensar que hoje isso na maioria das vezes acaba sendo a mesma coisa. Dada as proporções, é claro.

Um dos grandes nomes dessa época que inspirou o Renascentismo foi Marcus Vitruvius Pollio. Ele trouxe a ideia de que estruturas são essencialmente criadas apenas com círculos e quadrados, representando estes respectivamente Deus em sua perfeição e coisas mais mundanas. Você provavelmente conhece esse sobrenome, e eu já devo ter o pronunciado errado pelo menos umas 10 vezes quando embasava um próximo argumento sobre o Leo. Sabe? O cara da Mona Lisa. A gente tenta impressionar às vezes né, vai que cola. Aliás, quando eu estive no Louvre não tinha os 13 euros para pagar a entrada para estrangeiros. Ironias da vida. 

Durante o Renascentismo a alta burguesia contribuía financeiramente com a arte, o intelecto e a arquitetura, uma espécie de filantropia da época.
Avançando alguns séculos até 2019, fico impressionado em ver que os mesmo três pilares, antes quase que exclusivamente dependentes de um poder centralizado, e agora talvez com uma vertente mais tecnológica, são financiados por serumaninhos incríveis ao redor do globo com o auxílio da internet. Crowdsourcing, economia compartilhada, chame como quiser.

Acontece que com essa explosão de oportunidades, também podemos esperar alguns problemas inerentes. Com essa mesma internet e principalmente com as redes sociais, onde até seu avô está compartilhando fotos de cachorro, arte, ciência e literatura nunca foi tão acessível. Hoje praticamente qualquer tipo de conteúdo digital é grátis, nós só pagamos consumindo as propagandas e com os nossos dados. Parece uma troca justa, mas não é. Do sal ao petróleo, hoje dados são o recurso mas valioso do planeta.
Sem querer parecer um maluco cheio de teorias da conspiração, contanto que tenhamos certos cuidados, podemos fazer disso uma troca quase justa.

Todos nós já sabemos de cor que redes sociais são nocivas, e se programadas da forma correta, uma fonte interminável de dopamina, mas eu não quero ir por essa linha de pensamento. Pelo menos não dessa vez.
Eu queria mesmo era falar sobre as amígdalas cerebelosas, esse grupo de neurônios que faz parte cérebro profundo, no qual primam as emoções básicas, tais como a raiva, o medo e o instinto de sobrevivência.

Raiva, exatamente o mesmo sentimento que você tem quando vê aquela notícia absurda sobre política, segurança, educação ou saúde básica. Coisas que, se eu não me engano, nosso país está um pouco enrolado. O medo e o horror prendem mais a nossa atenção do que a felicidade, e pra comprovar isso é só ligar aquele negócio empoeirado na sala, digo, televisão às 6h da tarde.
Eu sei, os canais que “escorrem sangue” não fazem mais parte da nossa rotina, mas eu aposto que alguém da sua família vive dizendo tem uma greve dos caminhoneiros vindo por aí, e que aquele cara do vídeo do Facebook está gritando pra avisar. 
Essas notícias espalham rápido e fica bem difícil diferenciar ruído de informação relevante. Se antes precisávamos de grandes detentores de riquezas para promover e disseminar intelecto e informação, hoje basta apertar um botão de curtir para ser bombardeado, no sentido figurado por favor, por vídeos de direita ou esquerda, providos de ódio e provocações.

Não é meu objetivo criticar smartphones, tecnologia ou o acesso à informação, mas promover uma certa consciência para filtrarmos e analisarmos as informações que chegam aos nossos ouvidos.
Os famosos algoritmos, quando aliados à características básicas da biologia humana, podem ser devastadores. Vai que de repente essas noticias são falsas, em sua grande maioria, e acabem afetando algo um pouco mais importante. Talvez não é só a reunião de família de domingo que vai ficar desconfortável, mas também a direção de grandes potenciais mundiais.
Me pergunto se estamos vivendo um novo renascentismo, ou só tentando manipular massas com todas as ferramentas disponíveis para criar novos deuses.


Processando…
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