Sharing is caring

Quem me conhece, seja pelas minhas palavras ou pessoalmente, já sabe que eu sou aficionado por tempo e consistência, leia-se repetição. Seja porque Kierkegaard clarificou, de certa forma, diversas situações que identifiquei ao longo da minha vida, ou porque sempre corro pra um livro sobre o universo como um contra gatilho ao lidar com ansiedade. É engraçado e talvez desesperador perceber o quão pequenos somos diante dessa infinidade de astros indo pra lá e pra cá. Pra mim funciona, vai entender.

Recentemente eu notei um padrão interessante, sobretudo nas minhas últimas viagens. O segundo dia sempre traz uma perspectiva diferente, parecido com uma lupa ao tentar ler letras miúdas de rodapé. Andar pelas ruas agora conhecidas, saber o metrô que precisa pegar, talvez até já ter um café preferido antes dos próximos dez que virão. Pra mim, é nesse lugar mágico que mora a motivação, os sonhos antes só escritos numa folha de papel, a vontade de criar uma rotina diferente de qualquer outro momento vivido, porém muito parecida com as dos meus filmes favoritos. Amanhã eu começo a correr, hein?

Eu dividi essa linha de pensamento em dois pilares. Há quem diga que o difícil é começar, e que uma vez começado, as coisas se tornam mais fáceis. Por exemplo, ir na academia acaba se tornando mais fácil e vira rotina depois de um tempo, e deixa de requerer uma força de vontade gigantesca.
Por mais que eu adore o tópico de construção e quebra de hábitos, eu só o trago como referência para sustentar a minha crença nos números e nas repetições, e em toda a mágica envolvida. Imagina só que maluco eternizar a sequência de Fibonacci no corpo?

Por outro lado, eu vejo o segundo dia com um significado um pouco mais abstrato. Mais do que segundo dia, eu compreendi que a segunda vez é algo importantíssimo no processo de aprendizado, seja qual for o campo.
Por segunda vez, diferente do óbvio, eu considero a segunda ocorrência de um período de tempo que cabe a mim mesmo definir. O segundo dia, o segundo mês, a segunda vez que decidi sentar e escrever enquanto estava fora do país. A lista continua.

Partindo dessa perspectiva, de cara eu já encontro um paradoxo gigantesco que tento quebrar.
Por mais que o segundo dia seja inferior em número de horas que o fim da primeira semana, ao olhar em retrospecto do segundo dia, eu analiso o dia anterior, enquanto de forma análoga, na segunda semana eu analiso a semana anterior, de uma perspectiva mais ampla. Repito, a lista continua e cabe a mim encaixar o período de tempo necessário para olhar em retrospecto, seja qual for o objetivo. Perspectiva, relatividade, chame o como quiser.
No final, a reflexão em retrospecto do período de tempo escolhido é tão importante quanto a segunda ocorrência em si.

Subindo de Ushuaia, AR de carona

Em dezembro de 2018 eu decidi que deixaria o mundo corporativo por um ano. Não porque eu havia juntado dinheiro e almejava um sabático, muito pelo contrário, eu havia decidido viver um pouco mais alinhado com os meus ideais e fazer uma análise mais profunda sobre algumas crenças. Ver pra crer, talvez.

Pedir carona, por exemplo, era algo que romantizava e descobri que não me desperta o que buscava. Viver cada semana em um lugar diferente foi incrível nos primeiros meses, mas acabou perdendo um pouco o encanto quando a rotina não me permitia caminhar na direção dos meus objetivos de longo prazo.

Conforme meu primeiro ano vai chegando ao fim, eu já consigo ver o segundo apontando lá na frente junto com a oportunidade de olhar em retrospecto, agora de uma perspectiva bem mais ampla. “Mas você ainda tem 23,6% desse ano pra viver.” Lembra dos livros sobre universo e a minha ansiedade?

De qualquer forma, isso já me ajudou a identificar um ponto que gostaria de mudar.
Eu passei bastante tempo descobrindo e absorvendo, repetidamente, numa onda meio Übermensch do Nietzsche. Pra evitar confusão, acho importante ressaltar que nunca foi tão social presencialmente como estive sendo nos últimos meses, mas os momentos que dedicava ao autoconhecimento e aprendizado eram única e exclusivamente sozinhos, salvo rara exceções.

Eu pude notar que quanto mais me aproximava e descobria as pessoas, mais eu aprendia sobre mim mesmo, e que todo esse tempo sozinho não fazia sentido sem o outro lado da moeda. Essa lista de emails é um exemplo claríssimo disso.

Como equilíbrio é algo que vou buscar pro resto da minha vida, decidi que era hora de mudar um pouco a forma com que tenho levado tudo isso.
Isso nada mais é que abrir espaço para uma maior exposição dos projetos que estou trabalhando. O objetivo, como já era de se esperar, é fomentar discussões e, de novo, viver um pouco mais alinhado com ideias e crenças, que podem ser fortalecidas ou quebradas.

Sem mais delongas, essa é minha primeira tentativa de transformar um desses textos que vos escrevo em vídeo:

Legendas disponíveis em português, inglês e alemão

O medo de auto-exposição é uma das primeiras crenças que eu buscava quebrar, então é claro que estou de braços abertos para críticas e sugestões.

When you dance, your purpose is not to get to a certain place on the floor. It’s to enjoy each step along the way.

Wayne Dyer

Beijos no coração.


Processando…
Sucesso! Você está na lista.

2 comentários Adicione o seu

  1. Parlo Português disse:

    Não sei se conhece, mas sigo um cara no Youtube que se chama Carlos Cassau, ou Se Joga Cara, depois da uma olhada, acho que vai se identificar.

    1. Felipe Arcaro disse:

      E aí! Conheço sim, já vi bastante conteúdo dele, acho que ele tem bastante ideia bacana. De qualquer forma, obrigado pela recomendação

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