Como ganhar dinheiro online (rápido)

Me desculpo de antemão pelo título, espero que vocês tenham entendido a referência. O citarei ao decorrer do texto e tudo fará sentido, juro. 

Até mais do que a minha relação com o álcool, dinheiro tem sido algo de constante reflexão. De finais de semana em Bruxelas à voluntariados na América do Sul, me considero detentor de um conhecimento amplo sobre esse papel que controla nossas vidas (não podia deixar passar).

Me considero um rapaz privilegiado, isso não é novidade, mas trago este fato novamente por dois motivos principais. O primeiro deles é nunca ter passado dificuldades financeiras sérias. Considerando que ˜26% da população brasileira estava abaixo da linha da pobreza em 2017, não posso deixar isso passar despercebido.
O segundo é que dinheiro nunca foi um motivador na minha vida, e muito menos um empecilho. Explico. 

Em todos os trabalhos que passei, aspectos como ambiente, pessoas, cultura e meu senso de pertencimento vinham antes do tamanho do pagamento no fim do mês.
De forma análoga, quando eu fiz a lista das 50 coisas que gostaria de fazer antes dos 30, eu nunca encarei dinheiro como um pré-requisito. A critério de curiosidade, os requisitos eram habilidade, tempo e bens materiais. Bens materiais, porque ficaria um pouco difícil aprender a tocar piano sem um… piano.

Brincadeiras à parte, uma dessas coisas era fazer um mochilão pela América Latina. Não precisava de muitas habilidades, por mais que eu veja agora o quanto algumas informações poderiam ter me ajudado e evitado sofrimento desnecessário (olha um livro saindo aí), e não precisava de nada material, até porque minha vida cabia numa mochila. Então, só me restava dedicar tempo à isso. 

Antes que alguém se revolte com a minha suposta hipocrisia, não, eu não vivia da natureza e do amor. Eu só tomei a decisão de priorizar e direcionar os meus gastos na direção dessa experiência. Dizer “eu não tenho dinheiro” virou motivo de deboche, porque quanto mais eu dizia, mais eu ouvia que eu estava ganhando bem e merecia me divertir, seja lá o que isso signifique. Pensando em retrospecto, eu deveria dizer “eu não tenho dinheiro pra isso, agora, nesse momento da minha vida.” Talvez evitaria algumas amizades perdidas. Talvez não. 

Por sorte, energia, destino, chame como quiser, as coisas foram acontecendo de forma que, durante essa mesma viagem, eu acabei criando uma forma mais sustentável de viver, financeiramente falando.
Me pergunto como seria se eu tivesse colocado dinheiro como um dos requisitos e tivesse separado um dinheirão pra viajar. Arrisco em dizer que provavelmente estaria enfurnado em algum prédio da Vila Olímpia almejando a próxima viagem. 

Capo Colonna, Calábria, Itália

Senta que lá vem história.

Uma das minhas alunas esqueceu seu Macbook no avião, comprou outro e acabou recuperando o antigo por um ato de bondade da linha aérea. Ela pensou que isso poderia ser de utilidade pra alguém. Adivinha quem foi o felizardo? 
Como um bom brasileiro, é óbvio que eu não poderia aceitar tamanha bondade, então insisti em pagar até tornar disso uma situação desagradável. Depois de um tempo chegamos a um consenso, ela nunca mais precisará pagar por uma aula de português na vida. 

O que mais me chamou atenção em tudo isso foi a falta de números, ou melhor, a desnecessidade deles. O valor intrínseco de ambos os lados era suficiente. 
Do lado de cá, eu ando tentando criar conteúdo de qualidade como vocês bem sabem, e um Macbook tornaria o processo mais fácil e prazeroso. Do lado de lá, ela se beneficiaria de um falante nativo com +300 aulas dadas, por mais que seu português já seja impressionante. 
Lembra que me roubaram tudo no Chile em fevereiro? Talvez esse papo de que “o universo dá voltas” tem lá o seu valor.
Já trouxe esse vídeo uma vez, e o trago novamente pra reforçar o argumento deste que vos escreve das montanhas da Calábria, na Itália. Imagina que louco gostar tanto da ideia de trocas a ponto de estar criando um aplicativo focado em facilitar esse processo, onde toda a criação e o desenvolvimento está sendo feito na base da (pasmem) troca?

Paul Izak – Skill Share

Agora, pra todas as pessoas que prometi que criaria mais quando recuperasse pelo menos parte do que me foi roubado, trago boas novas. 

Em novembro lanço meu podcast chamado Perspectivas

Eu acho incrível o fato de que pessoas decidem dedicar suas vidas inteiras à estudos voltados para temas específicos. Sociólogos, psicólogos, filósofos, pesquisadores, a lista é enorme.
Também acho extremamente importante e prazeroso analisar os pensamentos desses estudiosos e fazer conexões com experiências que eu tenho vivido ao longo dos anos, em diversos países, me conectando com diferentes tipos de pessoa.
Não é a toa que passo boa parte do meu tempo lendo (e escutando) essas teorias, e tento trazê-las de forma divertida, quiçá interessante, através desses textos.

Contudo, acho que o que falta no meu processo de digerir e conectar todas essas ideias é a perspectiva de pessoas mais “gente como a gente.”
É interessantíssimo conhecer um pouco da nobreza dinamarquesa através dos pensamentos de Kierkegaard, mas o que um estudante de administração, que trabalha durante o dia e estuda à noite, tem 3 cachorros e faz trabalho voluntário no final de semana pensa sobre o existencialismo?
Essa é a ideia por trás do Perspectivas, trazer diferentes perspectivas sobre teorias bem fundamentadas. 

Vejo que a internet está cheia de gurus e isso vende, e vende muito bem. O título foi intencional, porque eu imagino que não é a primeira nem a segunda vez que você o lê por aí.
Eu não consigo me ver mais longe de uma pessoa que detém conhecimento suficiente sobre algo pra vendê-lo como a solução dos seus problemas, então sorte a minha que para criar isso, exatamente igual aos outros 49 itens, dinheiro não é um pré-requisito. 

Acho importante ressaltar que a mensagem principal aqui não é “largue tudo, queime suas economias e siga seu coração.” Eu trabalho, assim como qualquer outro mortal, e pela primeira vez é com algo que está 100% alinhado com meus ideais e com as coisas que venho criando. Além de privilegiado, sortudo!
A mensagem que gostaria de passar é que muitas coisas não precisam ser encaradas como trabalho, e não precisam requerer ou gerar dinheiro. 

Pra mim, criar é como jogar futebol despretensiosamente no final de semana. Eu não gosto muito de futebol, então faço vídeos, coloco palavras pra fora pra deixar o coração mais leve e hora ou outra leio e discuto temas que me despertam fascínio com pessoas ainda mais interessantes. 

Se algum dia eu conseguir monetizar isso de uma forma justa e que está de acordo com o que eu acredito, o farei sem pensar duas vezes, mas por enquanto vou continuar jogando a minha bola. E a cada gol, celebrarei da mesma forma que um jogador celebra uma vitória na Copa do Mundo. 

Stay tuned 🙂


Processando…
Sucesso! Você está na lista.

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