O poder de uma história

Qual foi a última história que você ouviu?

Você provavelmente está tentando lembrar o último livro que leu, o último filme que assistiu ou a última coisa incrível pela qual você passou, que sem dúvida criou uma história e tanto. Diferente dos comerciais da Carona, essa última história provavelmente aconteceu na padaria, na fila do banco ou algo parecido. 

A história, do ponto de vista científico, investiga o passado da humanidade e o seu processo de evolução, referenciando um lugar, uma época, um povo ou um indivíduo específico. Antes de seguirmos, revisemos algumas definições semânticas: 

História: uma palavra originada do antigo termo grego historie, que significa conhecimento através da investigação. 

Estória: baseada em elementos fictícios, é uma narrativa de ficção, um conto ou uma fábula.

Embora haja controvérsias sobre essas definições, muitas vezes elas se entrelaçam de uma forma belíssima tornando o espectador responsável por distinguir e absorver. Ou seja, ao consumir uma história você se torna tão responsável quanto o próprio contador. 

Saiamos do teórico para o prático: 

1. Fiz universidade de engenharia, pulei de trabalho em trabalho, fiz umas viagens, conheci uma galera e hoje moro na Itália . 

2. Fiz engenharia na melhor universidade do Brasil, conheci pessoas incríveis trabalhando em empresas extremamente relevantes – como a maior cervejaria do mundo – viajei para lugares que nunca havia imaginado, conheci pessoas que mudaram o curso da minha vida e me fizeram chegar na melhor região da Itália, onde há uma vista incrível para o Mar Mediterrâneo.

Pôr do sol no Mar Mediterrâneo

Se a segunda versão não for provida dados, ela é somente fruto da minha imaginação, ou um conjunto de verdades que escolhi acreditar durante o período em que a criava.
E você, ao decidir ignorar a ausência de referências e dados concretos, passa a ler o resto deste texto com outros olhos, talvez mais motivados ou sonhadores. Uma introdução de sucesso.

Não é nada grave, não se preocupe. Fazemos isso o tempo todo, mas é sempre mais difícil convencer (e agradar) o pensador crítico. Este provém de pensamento crítico, que quando usado da maneira correta, se torna extremamente valioso nos os dias de hoje. Para explicar o porquê, voltemos um século.

Neste período, quantas pessoas detinham os conhecimentos gerais que temos na ponta da língua hoje? Quantos habitantes tem o Brasil? Qual o valor do Euro? Façamos uso de outro exemplo: 

1. Venda mais barato para as grandes empresas.

2. “O Euro chega à R$10 e o nível de desemprego no país já ultrapassa os 70%. São mais de 300 milhões de pessoas sem uma fonte de renda para colocar comida na boca dos filhos. Agradeça o seu maior cliente e renegocie o valor da sua safra para não entrar para estatística.”


Hoje podemos dizer sem muita análise que esse exemplo fictício é um absurdo. Mesmo acobertado por uma história mais bem elaborada, provavelmente se trata de uma manobra para enganar produtores rurais. As pessoas de 1919 poderiam dizer o mesmo?
O acesso à informação era bem mais restrito nessa época. Educação superior ou até mesmo jornais informativos eram um luxo que nem sempre batiam na porta. Muitas pessoas não tinham outra opção para se informarem a não ser conversar com seus vizinhos igualmente desinformados. 

Como resolvemos o problema? Criamos (ou copiamos) um sistema educacional que bombardeia crianças com todo tipo de informação básica, de biologia a matetmática, por 12-15 anos. Ideia revolucionária e extremamente necessária, mas num mundo sem internet. Quando reavaliamos e ajustamos?

Agora, para acalmar os ânimos e rebater esse pensamento extremamente racional, trago uma história interessante (e verídica, juro) de uma amiga. 

Matera, Itália

O que você sente quando você olha pra essa foto? Ela foi tirada em Matera, na Itália, que foi considerada a capital cultural da Europa em 2019

Essa minha amiga já visitou a cidade várias vezes, mas dessa vez resolveu registrar essa fachada porque ela a despertou algo. Linhas harmônicas, detalhes DIY, paleta de cores ou a combinação de tudo isso, aliada às suas experiências de vida.
Outras pessoas, ao verem ela o fazendo, repetiram o gesto deliberadamente para não perder algo aparentemente importante, pelo qual tantos passavam despercebidos. 

Você pode (e deve) me contrariar dizendo que essas pessoas também poderiam ter sido tocadas pela fachada. Eu estaria um pouco mais inclinado a aceitar esse argumento se eu não estivesse lá e não soubesse que essa mesma fachada estava de frente pra isso:

Matera, Itália — Cidade fundada em 251 A.C.

Essa passagem me levou a reavaliar o valor, financeiro ou não, que damos à arte. O que difere um quadro de 25 reais na Av. Paulista de um quadro de 450 milhões de dólares exposto no Louvre?
Ouso em dizer que não é só o artista, suas habilidades ou história de vida, mas em grande parte a história que ele conta através de sua arte e o valor que vemos nessa história.

Leonardo da Vinci nasceu, viveu e criou durante o Renascentismo, um período importantíssimo, no qual o valor da arte foi ressignificado, enquanto o artista independente da Paulista talvez ainda não tenha tido a oportunidade de contar a sua história da maneira que deseja. 
Não quero dar uma de ingênuo e esquecer que existe o favoritismo, principalmente quando há influenciadores – digitais ou não – de opinião, mas insisto em dizer que a história por trás é de extrema relevância. 

Mas calma, porque eu comecei falando sobre desemprego fictício e acabei em arte renascentista mesmo? Um desenvolvimento de sucesso para lembrá-los de algumas das principais habilidades que serão necessárias para prosperar no futuro.

Não precisamos mais nos preocupar com acesso à informação graças à nossa querida internet, então nos próximos anos precisaremos ser experts em analisar criticamente tudo que chega até nós. De discursos de políticos à propagandas de cosméticos. 
Imagina só pensar que uma notícia atual, aparentemente verdadeira, pode virar motivo de deboche sobre nossa capacidade de discernimento pelos nossos futuros conterrâneos? Por isso a importância do pensamento crítico

De maneira similar, precisaremos ser extremamente criativos na hora de vendermos a nossa arte, o nosso produto ou qualquer outra coisa que coloque a pizza, digo, o pão na mesa. 

Digamos que eu já alcance um público razoável e queira lançar um produto digital. Decido que esse produto será um curso de marketing digital e o Google Trends assina embaixo: 

Como eu faço pra me destacar dentro dos 162.000.000 links que levam a um número tão grande quanto de pessoas que estão fazendo exatamente a mesma coisa?

Antes que você comece a dissertar sobre como eu estou viajando (figurativamente falando), sobre como você não precisa consumir essa massa interminável de notícias que foram cuidadosamente desenhadas para doentes e carentes sociais, e decida ir morar na praia e vender a arte que a natureza dá, lembre-se de quantas vezes você disse “não” para vendedores ambulantes. 

E aí, qual história você vai contar? Talvez essa seja a chave para escrever um outro desfecho, um desfecho de sucesso.


Processando…
Sucesso! Você está na lista.

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