Como ganhar na loteria

É possível que muitos de vocês já se perguntaram como eu ganho dinheiro. Meu instagram está cheio de fotos legais, escrevo de lugares remotos e relativamente caros pra se chegar, estou criando um podcast, gravo e edito vídeos e ainda sobra tempo e dinheiro pra correr e comer uma pizza de vez em quando. 

Arrisco em dizer que ganhei na loteria. Não literalmente, mas no sentido figurado da expressão. 

Há mais ou menos 2 anos atrás eu comecei a me preparar de forma obsessiva para viajar. Comprei tudo, absolutamente tudo que achava necessário para tal e fui me desfazendo de tudo que considerava dispensável.
Vendi todas as coisas que tinha no meu apartamento em São Paulo, mas decidi manter o carro e algumas outras coisas na casa dos meus pais, porque gosto de pensar que tenho um pouco de juízo e capacidade mediana de discernimento. 

Em uma analogia pobre, pode-se dizer que eu fui o cara que comprou a melhor chuteira, caneleira e uniforme sem saber ao certo se iria jogar futebol, basquete ou pingue pongue. 

Passado alguns anos, coloquei todos os essenciais em uma mochila e me vi cruzando a América do Sul. Vocês provavelmente já estão cansados de ouvir, mas eu preciso dizer que esses mesmos essenciais foram tirados de mim após um mês de viagem, só a caráter de concisão. 

E pra ser bem honesto quase nada mudou, meus planos continuaram os mesmos. No entanto, com isso eu notei que, além da tralha que julgava essencial, eu também detinha uma responsabilidade gigantesca que se traduzia em absorver o máximo possível e nunca esquecer que eu sou a representação do meu país a partir do momento que cruzo uma fronteira.

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Essa perspectiva, de certa forma, me tornou mais tolerante e mais aberto à experiências que deixaria passar outrora. Eu fiquei mais atento e passei a prestar mais atenção nos lugares, nas pessoas, nos costumes, nas cores e até nos cheiros.

Tive que enfrentar alguns medos, muitos defeitos e fazer disso uma virtude. Falei sozinho, ri sozinho e chorei sozinho. Buscava interação com qualquer pessoa, que antes talvez passasse despercebida enquanto eu olhava pra baixo e respondia o WhatsApp.

Precisei criar hábitos que nunca tive, comer coisas que nunca imaginei que comeria, falar com pessoas em línguas diferentes sobre assuntos que já estavam esquecidos em algum livro no fundo da gaveta. O preconceito passava longe porque agora, mais do que nunca, eu passava de espectador para protagonista, eu fazia parte do mundo e o mundo fazia parte de mim.

O simples fato de vir do Brasil já era motivo para uma conversa de horas. Você estaria pronto para explicar o que é o carnaval? Digo, todo o contexto histórico por trás da festa de carnaval? 

Desde que ganhei meu primeiro computador, eu praticamente dormia e acordava em cima dele.
Por mais que eu gostasse tanto, em certo momento da minha vida eu achei que precisaria quebrar esse ciclo, e decidi que a melhor maneira de fazê-lo era viajando. 

Eu trabalhei em recepção, limpei quartos e banheiros, cuidei de uma horta orgânica e até servi drinks, e de alguma forma isso me trouxe até aqui. A única coisa que eu tinha certeza era que eu iria me expor à diversas situações, diversos tipos de trabalho, porque eu achava que ficar atrás de um computador era entediante e me impedia de ver o mundo. Que ironia.

Acontece que eu amo a sensação de estar atrás de uma tela, e as inúmeras possibilidades que isso me traz, eu só precisava ressignificar isso de alguma forma. Se você já leu O Alquimista, de Paulo Coelho, você provavelmente já ouviu isso antes.

Eu não ganho um centavo com as coisas que tenho criado e compartilhado, e nem acho que vou ganhar num futuro próximo. Mesmo assim, isso toma boa parte do meu tempo, e eu acho que nunca vivi em um momento tão emocionante. Transbordo intensidade.

Eu acredito que, se eu realmente desejo me tornar muito bom em algo, eu preciso gastar milhares de horas praticando. Seja isso andar de bicicleta ou fotografar com uma câmera de mil euros. 

Enquanto isso, crio uma audiência que se beneficia (eu espero) de alguma forma desse processo de evolução e desenvolvimento.

Com isso em mente, qual seria a decisão mais racional ao voltar para o Brasil? Exatamente, vender o carro, o resto das minhas coisas e voltar para esse turbilhão de emoções que faz com que eu me sinta vivo. 

Tudo isso me trouxe a ideia (e um desejo enorme) de escrever um livro chamado “Não largue tudo para viajar.” O título nada mais é que uma ironia contra o fato de eu ter ouvido isso de forma exacerbada. 

Acredito ser muito franco nas coisas que faço e isso me causou alguns problemas no mundo corporativo. Ao deixá-lo para trás – temporariamente ou não, prometi à mim mesmo ser o mais transparente possível em qualquer nova empreitada.

O livro será grátis, e não mãe, eu não fiquei louco. Além de me divertir escrevendo e relendo as coisas pelas quais eu passei, eu posso usá-lo como um lead magnet

Como o nome já diz, lead magnet é uma espécie imã de leads, uma ferramenta de marketing usada para captar potenciais interessados no que eu faço.
O livro, meus textos, o podcast e os vídeos estão todos relacionados e dizem muito sobre a pessoa que sou. 

E essa mesma pessoa não seria capaz de vender algo tão abstrato quanto um livro que afirma, ironicamente, que não faz sentido nenhum largar tudo para viajar. E caso você discorde em número e gênero de tal afirmação, o livro também traz sugestões para ajudá-lo a fazê-lo da melhor forma possível. 

Por possuir esse complexo de não-guru, num futuro eu provavelmente optaria por monetizar algum tipo de arte, porque esta possui um valor intrínseco, uma história por trás. E eu vou te dizer, eu me amarro mesmo em uma boa história.

Então talvez daqui a algum tempo você não compre um quadro bonito com uma foto da Antártica, mas um quadro com uma foto tirada pelo cara que te escrevia todo domingo de manhã, religiosamente, por anos a fio. Um cara que você conhece bem, e acompanhou cada passo do processo que o levou até esse momento.
Como sempre digo, o poder de uma história. Haja consistência, hein?

Ah, e sobre ganhar na loteria, acontece que eu encontrei um trabalho que me paga para aprender como fazer tudo isso que descrevi aí em cima, da melhor forma possível. 


Achei que faria sentido responder essa pergunta de forma pública. Esse vídeo me inspirou a fazê-lo desta forma. Obrigado Johnny. 


Processando…
Sucesso! Você está na lista.

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