Finalmente posso morar em qualquer lugar do mundo

To make a goal of comfort or happiness has never appealed to me; a system of ethics built on this basis would be sufficient only for a herd of cattle.

Albert Einstein

Lembro de ouvir Belchior repetidamente no final do ano passado e a frase “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” acabou se tornando uma espécie de mantra, onde eu projetava sonhos e escondia inseguranças.
Falava de peito cheio que estava quebrando o ciclo, saindo do sistema e indo descobrir o mundo – interno e externo. 
Um ano se passou e eu estou fechando para balanço. 

Muitas coisas aconteceram e grande parte delas, ao invés de trazer um senso de realização, trouxe mais expectativa e pressão sobre 2020.  
Visitei 6 países, dos quais firmei base em 4, e o próximo passo é extasiante, pra não dizer sufocante.

Se você pudesse fazer literalmente qualquer coisa da sua vida, começando mês que vez, o que você faria? 
Refaço a pergunta, mas dessa vez ressalto que você deve levar em conta o ônus de tal decisão.

Você largaria seu trabalho atual? Isso exigiria planejamento financeiro e maturidade emocional para lidar com um padrão de vida mais simples por tempo indeterminado.
Viajaria para longe? Seria preciso deixar pra trás pessoas queridas e raízes que foram construídas por anos. 

No momento me encontro dentro do rio que divide a montanha do romantismo e da realidade, do lúdico e do rotineiro. 

Quando decidi mudar a forma com que vivia cada dia, a ideia de visitar outros países, viver diferentes culturas, descobrir novos hobbies e ficar deslumbrado constantemente estava tão enraizada que talvez borrou meu discernimento.
Na minha opinião, o problema de objetivos romantizados é a abstrata ideia de nunca poder alcancá-los, e ao fazê-lo, a sensação de vazio é garantida. 

Em outras palavras, a mesma liberdade que me trouxe exatamente até onde eu gostaria, também tornou o processo escolha um tanto quanto exaustivo.
paradoxo da escolha é escalável e flexível, e normalmente se fazia presente na minha vida em situações cotidianas. Isso mudou.

Ao descermos nos níveis de Maslow, esse tipo de decisão ironicamente se tornou mais difícil.
Me mudar para a Alemanha, para a Suécia ou para Bali e ter um lugar para chamar de casa por um tempo parece estar consumindo centenas de horas, horas essas que poderiam estar sendo gastas com a criação propriamente dita.

Recentemente me deparei com uma parábola deveras interessante. 
Um professor de cerâmica dividiu sua classe em dois grupos. O primeiro grupo recebeu a tarefa de fazer a tigela de cerâmica perfeita, enquanto o segundo deveria fazer a maior quantidade de tigelas possível.
Enquanto o grupo que seria avaliado com base na perfeição buscava fontes, os melhores materiais e técnicas diferentes, o grupo que seria avaliado pela quantidade já havia feito e errado uma dezena de vezes. 
No final, o segundo grupo recebeu a maior nota, e isso distorceu a minha visão da anedota “qualidade vem antes da quantidade.”

Trazendo essa parábola para 2019 e me colocando como protagonista, posso ver que enquanto viajava e escrevia muito (grupo 2), eu consumia informações de forma exacerbada de tudo que me interessava (grupo 1). Como já disse, esses interesses convergiram para fotografia e videografia, e o fato de gastar horas aprendendo (consumindo) me isentava da necessidade de fazer algo de fato, de tentar, errar e tentar de novo. 
Tudo é criação, eu pensava, e o fato de compartilhar alguns desses desejos já me recompensava frente à ausência de qualquer produto final. Já falei de micro-recompensas por aqui, e ironicamente – ou esperadamente – eu acabo entrando como exemplo a não ser seguido. 

Daniel Pink trouxe uma teoria que eu gosto bastante sobre o ponto médio de uma determinada tarefa. Usemos estes textos como exemplo.
Me propus a escrever por 50 semanas seguidas e recentemente alcancei o ponto médio, isso é, 25 semanas. Daniel diz que no ponto médio é onde toda a procrastinação se transforma em dedicação (banhada de desespero) e as coisas passam a funcionar.
Quando projetei o mesmo conceito em minha vida, eu esperava que o ponto médio me faria desistir e seguir com a minha vida, ou que traria alguma grande epifania na forma de catapulta para novas empreitadas.

Para ser honesto, nenhuma das duas coisas aconteceram. Sim, o fato de não quebrar o ciclo por 25 semanas me traz uma estranha obrigação de continuar, mas junto consigo uma necessidade de novas experimentações.

Voltando ao Belchior. Um ano se passou, eu me mantive fora do ciclo, conheci pessoas e lugares incríveis, comecei um blog e criei um podcast. Nesse rio de intensidade e inseguranças, me pergunto como seguir.
Nômade digital, cigano, viajante, turista, chame como quiser. O fato é que eu entendi que nunca estive buscando felicidade como destino, mas sim desconforto. Na verdade, eu sempre busquei algo que me desafiasse, que me tirasse do modo automático, que me trouxesse de volta crises intensas de ansiedade acompanhadas de surtos de êxtase.

A respeito do meu próximo passo, devo ter um lugar pra chamar de casa muito em breve e também devo direcionar toda minha energia e tempo extra à criação. Enquanto na virada de 2018-2019 eu me via saindo de uma sala de escritório em direção ao mundo, o inverso se faz verdadeiro para 2020. 

Consumi e aprendi muita coisa em 2019. Tive a oportunidade de me conectar com diversos criadores e decidi que está na hora de trabalhar na minha própria criação. De palavras à imagens e vídeos, dos livros para a tela. 

Esse conceito de qualidade versus quantidade se figura em uma eterna guerra no meu modo de pensar, uma disputa acirrada entre consistência e perfeição.
É exatamente nisso que vou trabalhar nesse próximo ano.

É óbvio que nenhum espetáculo é completo de cortinas fechadas, então se você deseja acompanhar tudo isso, esses são os links: 

Youtube – canal onde publicarei 50 vídeos de alta qualidade.
Instagram – página onde publicarei 10.000 fotos intencionais.
*Considere se inscrever, acredito que trarei coisas de valor.

Os números são abstratos, e o processo de tentar alcançá-los é muito valioso que os números por si só.

Sempre vi a vida como uma série de experimentos, e essa é uma tentativa de buscar competência inconsciente em áreas que me fascinam. 

Sem mais delongas, let the games begin


Processando…
Sucesso! Você está na lista.

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